sexta-feira, 6 de março de 2015

Cinema e marxismo em Leon Hirszman:

Deveria-se escrever mais sobre o cineasta brasileiro Leon Hirszman. Digo mais: é preciso assistir e conhecer a fundo os filmes deste que é o autor mais politicamente contundente do movimento do Cinema Novo. Além de ter sido um dos fundadores do CPC(Centro Popular de Cultura), Leon foi um cara que soube aplicar criticamente os ensinamentos do materialismo dialético no plano da linguagem cinematográfica.
 " Filiando-se " desde muito jovem ao método eisensteineano, Leon Hirszman ajudou a modernizar e politizar o cinema brasileiro. Sua contribuição é fecunda e abrange filmes emblemáticos como Pedreira de São Diogo, A Falecida, O ABC Da Greve e Eles Não Usam Black Tie. A principal razão para insistir na importância cinematográfica de Leon, é que seus filmes podem fazer com que muitos jovens cineastas tomem vergonha na cara na hora de filmar: é a realidade do proletariado, sujeito histórico que pode levar o capitalismo para o chão, que Leon decidiu filmar; é disto que o cinema brasileiro atual necessita, e não do lixo comercial que faz a classe média lamber os dedos e os olhares.


                                                                                                          José Ferroso

A situação do teatro russo:

Impossível passar pelas esquinas do teatro moderno sem dar uma parada pelo território russo. O país que assistiu a vitoriosa Revolução de 1917, lamentavelmente corrompida pela burocracia, ainda dá as cartas quando o assunto é teatro. A presença do diretor Yuri Butusov na Mostra Internacional de Teatro em São Paulo com a peça A Gaivota, de Tchékhov, revela a força e a beleza do teatro russo atual. Butusov vem apresentando em seus trabalhos o clima politicamente asfixiante que o teatro russo vive: é um momento político delicado envolvendo os conflitos entre Rússia e Ucrânia, além do autoritarismo em solo russo.
 O teatro russo apresenta  heranças extraordinárias e também trágicas. De nossa parte, torcemos para que diretores e atores russos saibam combater tanto o autoritarismo do governo atual  quanto o próprio imperialismo norte americano.  Num país que brindou o teatro moderno com gente como Meyerhold e Maiakóvski, é indispensável que a arte teatral encarne não apenas um valor crítico mas uma posição política revolucionária.


                                                                                                  Lenito 

quinta-feira, 5 de março de 2015

A poesia contra a barbárie:

É função da poesia não aceitar as formas de barbárie. Num mundo em que a beleza está impedida de existir, o poeta realiza a operação mágica que reivindica outra realidade: a revolução é o destino político natural da poesia. De acordo com esta premissa, é sempre oportuno lembrarmo-nos de poetas corajosos que mesmo quando o ambiente político torna-se hostil, fazem questão de impor a armadura dos seus versos na defesa da libertação do homem.
 A imagem de Lorca sendo morto pelos fascistas durante a Guerra Civil Espanhola(1936-1939) é um exemplo de que a morte física não pode matar um poeta. Isto não é consolo forrado de senso comum: os versos impressos ou jogados no ar são fatos sensíveis que nenhum regime que sustenta os privilégios da burguesia, pode reprimir. A velocidade da poesia ultrapassa qualquer medida política autoritária, por uma razão muito simples: o desejo de emancipação humana, que a poesia encarna, é incontrolável.


                                                                          Lúcia Gravas/Geraldo Vermelhão 

quarta-feira, 4 de março de 2015

O lado oculto do rock:

A vinda dos veteranos da banda The Sonics ao Brasil, levanta mais uma vez a necessidade de revermos a História do rock. Com uma única apresentação prevista em São Paulo, The Sonics é um mito do garage rock. O fato do som dos caras influenciar bandas recentes como The Hives, leva-nos a uma constatação histórica: cara, como existem bandas e mais bandas que são excelentes e que apenas muito recentemente começaram a fazer parte de uma espécie de memória " oficial " do rock. A verdade é que um ponto de vista progressista em música nunca pode tomar as noções capitalistas de " sucesso " e " fracasso " para julgar a importância de uma banda. O potencial transgressor impresso num som autentico é o que conta em matéria de rock.
 Os Sonics estão juntos a outros inúmeros exemplos de gente que mesmo sem ter vingado totalmente em sua época, hoje ocupa um papel influente entre rockeiros.  Pesquisando os sons que vão do Velvet Underground aos Stooges e chegam aos Sonics, os rockeiros do século XXI não procuram o óbvio na hora de buscar suas influências musicais.


                                                                                                   Tupinik 

terça-feira, 3 de março de 2015

Brecht, Lukács e o debate estético:

Por que Brecht levou a melhor sobre Lukács no célebre Debate sobre o Expressionismo? Nesta importante controversa, que marcou os debates estéticos da esquerda europeia dos anos trinta, Brecht compreendeu que o realismo não é uma linguagem embalsamada. Logicamente que não foram apenas estes dois gigantes  do pensamento estético marxista que tomaram parte no debate: Ernst Bloch por exemplo, foi fundamental na defesa do expressionismo contra os ataques impróprios de Lukács. Mas foi o teatrólogo alemão quem deu um passo e tanto no debate artístico da esquerda.
  Brecht não nega a necessidade do realismo. Mas diferentemente de Lukács, ele  hitoriciza a arte realista, ou seja, o autor compreende que o realismo não é um processo estático: o realismo não poderia ficar indiferente diante das  transformações técnicas e expressivas trazidas pela arte moderna. Neste sentido, a contribuição do expressionismo alemão é enorme para se pensar " a arte de esquerda "


                                                                                           Lúcia Gravas 

segunda-feira, 2 de março de 2015

O pensamento estético revolucionário de Glauber Rocha:

Glauber Rocha não foi apenas o principal cabeça do cinema brasileiro. Hoje é amplamente conhecida a colaboração deste inventivo esteta no plano da teoria revolucionária da arte. Em Glauber manifestos, artigos e experimentos literários compõem junto ao seu legado cinematográfico, uma inquietante busca pelo povo brasileiro e sua missão histórica revolucionária. Porém, é incrível o fato deste cara ter sido tão esculhambado e incompreendido pela esquerda brasileira.
 A imagem que resume as polêmicas de Glauber Rocha nos âmbitos da  porraloquice ou do culturalismo, só podem servir aos interesses políticos mais reacionários. Hoje em dia por exemplo, existem acadêmicos que guiados pelas mãos furadas da análise culturalista, pretendem fazer uma leitura de Glauber que esvazia sua verve revolucionária e o coloca como um pensador formalista da cultura brasileira. Mas é fácil rebater esta gente a partir dos próprios escritos de Glauber Rocha: da Estética da Fome(1965) até os labirintos oníricos da Estética do Sonho(1971), Glauber nunca deixou de defender e proclamar em alto e bom tom a arte revolucionaria. Portanto, o grilo todo mora nas limitações estéticas da esquerda stalinista e não na postura política de Glauber, que sempre foi revolucionária. 
 Glauber confunde a esquerda e a direita não estando acima mas dentro da luta de classes. Seu pensamento artístico livre, serve aos mais claros propósitos revolucionários. É neste sentido que um romance louquíssimo como Riverão Sussuarana (1978) é uma baita lição surrealista que serve para abrir a cabeça de todo e qualquer escritor e  cineasta brasileiro. Glauber tem mais a ver com marxismo do que com o conservadorismo culturalista.


                                                                                             Os Independentes  

Arte proletária e vanguardismo:

No Brasil, as grandes novidades artísticas da modernidade foram essencialmente coisas de classe média. Poucos são os exemplos de artistas de vanguarda que atuaram no movimento operário. Sendo assim, tirando algumas exceções como o romance de Pagu , a dramaturgia de Oswald de Andrade e o cinema de Glauber Rocha,  o que encontramos é o descompasso entre a pesquisa formal de vanguarda com o conteúdo político revolucionário.
  Mesmo sendo discutível hoje o sentido da palavra vanguarda, a verdade é que as rebeliões formais ainda estão nas mãos de pessoas que não avançam sob o ponto de vista político: reformistas, reacionários e gente altamente despolitizada conhecem bem as práticas artísticas que não são nem um pouco convencionais para o gosto burguês. O que fazer? A saída para este embate histórico só pode ser uma: os jovens artistas proletários precisam dominar as estéticas dos movimentos de vanguarda. Tão urgente quanto uma formação política marxista, é expor como o próprio marxismo auxilia na criação de uma arte proletária que assimilou as formas de vanguarda.


                                                                                             Geraldo Vermelhão