segunda-feira, 9 de novembro de 2015
A presença de Pasolini:
Há 40 anos um artista revolucionário italiano foi encontrado morto. O mundo perdia Pier Paolo Pasolini. Este pensador deixou impresso na literatura e no cinema elementos que muitos militantes ditos revolucionários não possuem: atitude provocadora, inteligência, sensibilidade rebelde e um desejo profundo de emancipar o homem das cadeias morais da sociedade burguesa. Comunista, homossexual e crítico implacável da sociedade de consumo, Pasolini foi um dos intelectuais mais fascinantes do século passado.
Por ocasião da data de sua morte, Pasolini está sendo lembrado e discutido nos meios cinematográficos e literários. Sem dúvida que isto pode fazer um bem danado para a cultura brasileira atual: diante do pelotão de reacionários que avança pelos domínios da cultura, a obra e o pensamento de Pasolini compõem uma posição rebelde, de ataque ao status quo. A exemplo do título do seu emblemático filme, Pasolini é um " teorema " que funde a cabeça da burguesia.
Os Independentes
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Artistas trabalhadores:
Uma das tarefas essenciais da reflexão estética marxista, envolve a destruição de um mito chamado " artista ". Toda a baboseira em torno do gênio individual, da exótica cigarra que canta em sua liberdade abstrata não passam de mais um discurso burguês. Convencer o trabalhador de que ele pode ser um artista e convencer os chamados " artistas " a considerarem-se trabalhadores da cultura, é o princípio para uma redefinição do papel da arte na sociedade.
É preciso golpear todas as vaidades, todas as blagués e jogos de frases vazias. O artista não pode fugir das suas responsabilidades políticas. Ainda que ele não queira, ele faz uma opção de classe. Ainda que ele prefira sair voando, sua criação acaba pousando mais cedo ou mais tarde no duro chão da realidade. Não precisamos de artistas que alimentam o mercado. Não precisamos de covardes individualistas. Precisamos de artistas trabalhadores!
José Ferroso
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
A tendência política na obra de arte:
Engels nos mostra que toda obra de arte é politicamente tendenciosa. Afinal de contas, a criação artística não se dá no vácuo, mas na sociedade de classes. Portanto, toda obra de arte traz conscientemente ou não uma expressão ideológica acerca de uma determinada época; a arte revela em qualquer circunstância um parecer político. Entretanto, isto não pode ser confundido com a violação dos procedimentos artísticos a partir de critérios políticos: o resultado artístico não passaria de um panfleto mal feito. A arte exprime a tendência política de uma época a partir das suas próprias estruturas, da própria estética.
Lenito
Lenito
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Um clássico progressista da literatura russa:
Acaba de ser publicada a primeira versão em português do romance O Que Fazer ?, do escritor russo Nikolai Tchernichévski. Além de pertencer ao período áureo do romance russo do século XIX, esta obra inaugura temáticas progressistas que teriam seu melhor ambiente cultural na futura União Soviética. A história de uma jovem russa de classe média, Vera Pavlovna, que procura fugir do casamento arranjado pela família através de uma união forjada, é o trampolim para as discussões em torno da emancipação feminina e dos direitos sociais na Rússia czarista. A protagonista do romance, que viveria um triângulo amoroso, também aborda dois outros tabus da sociedade russa de então: o acesso das mulheres ao Ensino Superior e a organização de costureiras para a criação de uma cooperativa.
Ao lado de gigantes como Tolstoi e Dostoiévski, Tchernichévki é um romancista que faz da literatura uma autentica reflexão sobre o seu tempo. Não foi por acaso que este era um dos livros de cabeceira de Lênin(o próprio usaria o título do romance para uma de suas famosas obras).
Lúcia Gravas
terça-feira, 3 de novembro de 2015
A experiência libertária do jazz:
Em tempos de homogenização da música, o jazz é uma lição de liberdade. Muitos trabalhadores consideram a música do jazz como sendo algo chique, esnobe, coisa de playboy. Já passou da hora de mostrarmos que é exatamente o contrário: o jazz conseguiu reunir todas as condições expressivas para uma música livre, nascida em torno do proletariado, sensual, calcada no que existe de mais libertário na cultura negra norte americana.
Na ampla e rica História do jazz o que mais chama atenção é sem dúvida o bebop. Surgido no pós guerra o bebop envolve a amplificação do jazz: arranjos experimentais e voos sonoros são elementos característicos do bebop. Este fenômeno que explode nos anos quarenta, alimentou a questão da autoria na criação musical. Isto não é pouco: aquela imagem do músico subalterno é negada pelo bebop que coloca a arte acima do entretenimento. É o que constatamos quando ouvimos o genial Charlie Parker.
Tupinik
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A arte no socialismo científico:
O materialismo dialético não pode funcionar enquanto sistema filosófico que responda a todos os problemas do universo. Existem questões que evidentemente partem na direção de outras possibilidades filosóficas. Entretanto, no âmbito dos problemas postos pela História, pela ação do homem no tempo de no espaço, o socialismo científico ainda é o método mais preciso. Não apenas a dinâmica econômica e a organização política são explicados/problematizados pelo materialismo dialético. A dimensão da arte , utilizada num sentido político reacionário por culturalistas e liberais, é para o marxismo um campo fundamental na luta pela libertação do homem.
A interdependência entre arte e modo de produção nos mais variados períodos históricos, é a primeira lição que aprendemos com o socialismo científico. O conhecimento artístico nos mostra tanto as diferentes formações ideológicas quanto a própria condição da arte enquanto trabalho criador. A consciência que a arte traz sobre a realidade e as potencialidades criativas do homem, faz da experiência estética uma prática que define a todos nós enquanto seres criadores. Tal evidência em sua oposição ao trabalho alienado, faz da arte uma atividade humana que está inevitavelmente ligada à política. Façamos da arte uma aliada histórica do socialismo.
Lenito/ Geraldo Vermelhão
Dialética e cinema operário:
O contraponto aos ataques dos direitos dos trabalhadores, passa também pelo cinema. Mas qual cinema? Apontar ou até mesmo revelar os problemas da classe trabalhadora no Brasil, não pode ser feito através de uma narrativa burguesa. Linearidade e maniqueísmo são males que muitos filmes ditos revolucionários sofrem. Evidentemente que valorizar a forma em prol do conteúdo também seria um caminho alienante. Como fazer então um filme revolucionário? O pressuposto de um cinema orientado pelo marxismo passa obrigatoriamente pela dialética das imagens. Tese, antítese e síntese devem condicionar o ritmo da montagem cinematográfica. Eisenstein, por exemplo, sabia muito bem disso.
José Ferroso
José Ferroso
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