quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Aprendendo com Brecht:
Muitos militantes de esquerda possuem uma análise política correta, mas, por outro lado, não conseguem se comunicar com grande parte dos trabalhadores. Sendo assim não basta ter a teoria marxista na ponta da língua. É preciso meditar sobre a práxis e logo sobre estratégias de comunicação. O teatro ainda é um campo de inúmeras possibilidades políticas para que as formas comunicativas revolucionárias sejam cultivadas; o que por sua vez torna as concepções estéticas de Bertolt Brecht mais do que necessárias.
Brecht nos ensina, dentre outras coisas, que é preciso partir do contexto cultural do proletariado para se criar uma linguagem revolucionária. Este é o princípio dialético que vale não apenas para o teatro político mas para as práticas políticas da esquerda em geral.
Geraldo Vermelhão
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Walter Benjamin: alegoria e rebelião
Walter Benjamin não é apenas um dos pensadores mais importantes da primeira metade do século XX. Ele é o portador da chave que permite compreender como a palavra/imagem podem ser forças essenciais no confronto contra a sociedade burguesa. Benjamin, um romântico revolucionário, sabia que numa realidade fragmentada pela mercantilização da vida, a alegoria é um recurso fundamental: se para Goethe o poeta parte do particular para o universal, Benjamin ia no sentido contrário e via que o alegórico contribui com o entendimento crítico do capitalismo.
Benjamin enriquece o pensamento marxista com conceitos que iluminam a reflexão sobre a cultura: aura, mônada, reprodutibilidade técnica são alguns destes conceitos. O leque de interesses deste filósofo-artista(de Baudelaire a Kafka, de Brecht aos surrealistas) geraram escritos seminais. Uma escrita poética que não perde em nada da necessária objetividade histórica na reflexão estética. A esquerda ainda tem muito o que aprender com Walter Benjamin.
Tupinik
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Lançamento do Zine CRIMIDEIA:
Quando Platão perseguiu os poetas na Grécia Antiga, o filósofo sabia que a ação poética revela um " conhecimento criminoso ". A ameaça que a arte e a poesia traz historicamente para as sociedades de classes é compreendida(e praticada) por marginais iluminados. Um leitor faminto deve se perguntar: " Mas aonde é que eu encontro este conhecimento transgressor hoje ?". Adiantamos que este mesmo leitor deve se dirigir para a cidade de Campinas: nesta terra de barões em que poucas andorinhas sabem voar, está sendo lançado o zine Crimideia , um bombardeio poético contra a cultura dominante.
Crimideia é a primeira iniciativa editoral da Encruzilhada Edições. Bruno Zambelli, ator e poeta que faria Platão se borrar todo, é um dos cabeças deste zine que promete dar uma lição contracultural no território campineiro. Em sua primeira edição Crimideia incendeia a nossa imaginação com ilustrações autorais e clássicas, além de textos bombásticos. Gente amaldiçoada como Rimbaud e Batallie ajudam a temperar esta publicação que conta com o trabalho de poetas e jornalistas.
Se Oswald de Andrade compreendia que tinta e papel são mais eficazes do que metralhadoras, o pessoal do Crimideia interpreta ao pé da letra esta afirmação revolucionária.
Os independentes
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
A música e a juventude:
Sempre é tempo de cantar, exteriorizar as palavras caladas/esquecidas, jogar os sons pra fora do " eu-reprimido ". Trabalhadores, estudantes e as mais variadas minorias sabem que a música é uma marcha sonora que ocupa de modo sensual nossa consciência. Seja em 1968 ou em 2015 jovens cantam novas ou velhas canções em suas lutas políticas. O Estado capitalista, é claro, responde com pancadas ou com maquiagem quando os sons que acompanham a luta subvertem o cotidiano alienado. Mas o importante é que este braço de ferro entre liberdade e opressão possui historicidade. Portanto, quando os estudantes secundaristas do Estado de São Paulo marcam ponto na luta por um outro projeto de Educação, podem acreditar que as canções do passado e do presente se misturam numa sinfonia elétrica da liberdade. Juventude e música andam juntos porque cantar, saltar, protestar e resistir são aspectos vitais da luta política/cultural.
Os Independentes
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
O escritor, o militante e o escritor-militante:
Tem escritor que não sabe mas escrever é inevitavelmente um ato político. Evidentemente que isto não significa dizer que poetas, romancistas, contistas e outros escritores sejam porta vozes de ideologias políticas que violam os procedimentos de criação artística. O fato é que para muitos existe uma falsa divisão intelectual entre o escritor e o militante. Enquanto que o militante de esquerda está orientado para uma atividade política que requer resultados objetivos na realidade social, o escritor seria uma espécie de ser flutuante. A alternativa para esta falsa divisão está na figura do escritor militante.
O escritor militante é aquele que, engajando-se nas grandes questões políticas do seu tempo, empenha-se na elaboração estética que atua sobre a consciência dos leitores. Não se trata da utilização da literatura como simples pretexto para realizar propaganda política. O escritor militante mostra que o texto literário, em sua especificidade, é uma força ideológica que invalida a existência da sociedade capitalista.
Lúcia Gravas
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
A criação artística é revolta:
O que a criação de um objeto artístico acrescenta na realidade? A lógica capitalista responde brutalmente através da conversão da obra de arte em mercadoria. Porém, qual é a origem criadora do ato? Num mundo de cacarecos e objetos alienantes, a arte enquanto processo expressivo não se contenta em apenas aumentar a pilha de lixo. A obra artística abre uma perspectiva existencial que se choca com a organização econômica adestrada do capitalismo. Ainda que muitos artistas não saquem muito bem este fato, a verdade da arte implica na criação de uma outra realidade dentro do real: é aí que mora todo o seu poder político de subversão.
Chocando-se com o cotidiano, com a previsibilidade de uma realidade social na qual os homens não passam de ferramentas que alimentam o capital, o artista consciente faz pouco caso da organização mental dominante e instaura uma verdadeira ruptura em nossa percepção. A arte ocupa o lugar de um mar de objetos alienados e limpa a nossa visão na direção de uma consciência política transformadora.
Marta Dinamite
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
A necessidade revolucionária da Estética:
Contrariando o que esquerdistas e sectários em geral sempre sugeriram, a dimensão estética não é parte de um reino reacionário. Se historicamente a categoria da Estética, elaborada em meio às convulsões políticas e sociais do século XVIII europeu, foi expressão cultural da ascensão revolucionária da burguesia, não podemos perder de vista que ela também é vital para a classe trabalhadora. Muito mais do uma "ciência sensual " empenhada no estudo da arte, a Estética enquanto categoria filosófica entra em conflito com a organização social do trabalho.
É fato que a Estética é um conceito contraditório, sendo que ela converteu-se em parte essencial da hegemonia burguesa, fortalecendo as qualidades sensíveis da mercadoria e por consequência legitimando a sociedade da alienação. Porém, o que a Estética também revela é que o conjunto das experiências sensíveis do ser humano desafia o princípio de realidade estabelecido: a criação de uma cultura sensual, no dizer de Marcuse, envolve a contribuição revolucionária da Estética. A criação e o jogo desinteressado de nossas potencialidades enquanto aspectos presentes na ação/reflexão estética, chocam-se com o trabalho alienado e com toda organização política que visa administrar os desejos de homens e mulheres. A Estética é parte essencial do processo político revolucionário de libertação.
Os Independentes
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