domingo, 14 de janeiro de 2018

Boletim Lanterna. Ano 08. Edição 91

Existem datas, existem anos  cujas imagens representam um pavio do passado que será acesso no futuro. Obviamente que a história não se repete: Marx ensinou que cada acontecimento ocorre em circunstâncias específicas. Mas se temos que fazer uso do material do passado para continuarmos a fazer história, então seria de grande importância seguir o conselho de Walter Benjamin: pensar as energias libertárias do passado para inspirar as lutas dos oprimidos de hoje. Sendo assim, é preciso ter a exata consciência de que este exercício com o passado consiste numa experiência que é ao mesmo tempo política e estética. A arte fornece as imagens revolucionárias nos encontros progressistas entre os diversos períodos da história.

2018- 1968 - 1848. A segunda e a terceira data, possibilitam um fluxo de imagens revolucionárias que abastecem as energias da primeira data(ou seja, os dias que correm).

1848: Primavera dos povos... As lutas do proletariado. Publicação do Manifesto Comunista, de Marx e Engels. " Tudo que é sólido se desmancha no ar ". A luta de classes enquanto MOTOR da história. Imagens que incendeiam a consciência dos trabalhadores.

1968: A imaginação no poder... Revoltas contra a sociedade burguesa. " É proibido proibir ". Revolução e contracultura desafiando os fundamentos da civilização capitalista. 

2018: um ano em construção. Mediante as ameaças conservadoras, é preciso que a vida cultural da esquerda seja nutrida com as imagens revolucionárias: neste sentido 1848 e 1968, por exemplo, são épocas que fornecem combustível poético para a classe trabalhadora dos nossos dias.   

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 90

Mais um ano de luta! E olha que foi um ano difícil: sustentar a relação revolucionária entre arte e política quando o Brasil e o mundo mergulham no conservadorismo, não é uma tarefa fácil. Mas não tem outro remédio: é preciso participar da luta de classes, posicionando-se ao lado dos trabalhadores.
 Estamos cientes de que num cenário político polarizado como o do Brasil atual, tratar do caráter político e da capacidade de intervenção da arte no desenvolvimento da consciência, acarreta numa tensão constante. A exemplo de tantos outros camaradas, estamos aptos para lidar com esta situação. Seja com textos analíticos, com textos de caráter literário, acreditamos que as edições do nosso boletim representam uma tentativa de fornecer munição estética para o front cultural. 2018 promete. Estaremos com a pena na mão para escrever sobre a libertação do homem. Voltaremos na segunda metade de janeiro.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 89

ARTE = IDEOLOGIA? 
Só poderemos chegar a uma resposta satisfatória longe das deformações filosóficas do marxismo vulgar. Não existe arte fora da ideologia, mas é preciso compreender a maneira específica em que o estético expressa o ideológico. 

A HISTÓRIA das sociedades humanas envolve:  INFRAESTRUTURA / BASE ECONÔMICA e SUPERESTRUTURA. Formas jurídicas e políticas legitimam o poder das classes dominantes, proprietárias dos meios de produção. É o ESTADO quem cumpre este papel. A superestrutura revela formas definidas de consciência social, que podemos chamar de IDEOLOGIA. Enquanto componente da superestrutura, A ARTE faz parte da produção ideológica da sociedade, ou seja, enquanto experiência estética ela participa da construção de uma percepção em que o poder e os valores das classes dominantes surgem como algo natural e eterno. Mas como sabemos, a arte também pode ser uma arma contra  a ideologia dominante, exprimindo as ideologias de classes dominadas.

A arte não é mero reflexo ideológico. É preciso compreender os fenômenos artísticos de acordo com mediações: as influências estéticas e a trajetória do artista, por exemplo, pesam sobre o significado das obras de arte.

A ARTE É FRUTO DE UMA NECESSIDADE INTERNA QUE POSSUI RELAÇÕES DIRETAS COM A PSICOLOGIA SOCIAL DE UMA ÉPOCA. A PRODUÇÃO ARTÍSTICA NÃO É DESCULPA PARA REFLETIR MERAS IDEOLOGIAS. PORÉM, A ARTE EXPRESSA AS IDEOLOGIAS DAS CLASSES SOCIAIS. CABE AO ARTISTA REALIZAR UMA OPÇÃO DE CLASSE. A ARTE EM SUA RELATIVA AUTONOMIA, NUNCA ESTÁ ACIMA DAS LUTAS SOCIAIS.     
 

domingo, 26 de novembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 88

Apresentamos A Poesia e o Horror, de Lenito.

 " Os miolos coloridos dos tijolos abertos indecentemente sobre a construção, sugeriam muitas manhãs de horror

  Prédios no chão

 Gritos elétricos de gente torturada nos porões

 Perseguição, chute na costela, olhos queimados e olhares furados como tristes bexigas

 Trabalhadores açoitados na cara, no bolso, nas palavras sussurradas e intimidadas pelo mal hálito do imperialismo norte americano

Gente esmagada pelo apetite sem fim de uma burguesia devoradora de consciências

No Brasil, nos EUA e na Europa não se aprendeu nada sobre o século XX. Exploração, alienação , extermínio e pestes vindas do pelo de ratos capitalistas com potencial nucelar. 

Com os punhos trancados e os mais belos horizontes na cuca, seguimos "


                                                                                          Lenito


domingo, 19 de novembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 87

Certa feita Oswald de Andrade disse que o gênio é uma grande besteira. Ele estava certo: " VIVA A RAPAZIADA! ". Para que possamos mobilizar as energias da arte na luta contra a civilização capitalista, devemos desmistificar cânones da cultura dominante. Uma compreensão materialista da arte exige que a atividade estética seja entendida enquanto produção.

O ARTISTA MILITANTE É PRODUTOR

Abaixo o criador romântico !
Abaixo as cifras que escravizam a atividade artística!
Abaixo os especialistas que intimidam os artistas trabalhadores!

As atuais condições de produção artística permitem que palavras, imagens e sons sejam combinados, recombinados, articulados, sentidos sem qualquer tipo de hierarquia. Não é preciso pedir permissão a ninguém para produzir arte. A assertiva de conceber o artista enquanto produtor(visão esta que insere-se na tradição de autores como Bertolt Brecht e Walter Benjamin) está em disputa com os tentáculos da ideológicos da indústria cultural e do fundamentalismo religioso.
 
A crítica marxista deve armar ideologicamente os trabalhadores que produzem arte.

domingo, 12 de novembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 86

Apresentamos Tempestade subjetiva, de Geraldo Vermelhão.

" A Operária 1 tinha um belíssimo jardim na sua mente. Ela desejava muito que o Operário 2, por quem estava apaixonada, pudesse junto com ela colher rosas com cheiro de sonho e sentir o brilho do sol que acariciava a pele. Este mesmo sol, o Operário 3 tentava a todo custo manter firme na sua cabeça raspada. Mas não era fácil: os 3 trabalhadores não conseguiam impedir com que suas belezas internas fossem afetadas por pontudos cacos de vidro e máquinas mal humoradas, que machucavam as mãos e processavam informações frias. A meta dos números, a fria quantidade do lucro do patrão sobre a qualidade da poesia, levantava uma ameaça real sobre o paraíso interno dos 3 operários.
  No ponto de ônibus, após o expediente, lá estavam os 3 lanchando em pé e olhando para o nada. A Operária 1 tomava um café frio , o Operário 2 comia uma banana nanica e o Operário 3 saboreava um sanduíche recheado unicamente pela sua imaginação.Uma multidão de viciados rodeava a todos no ponto, implorando por moedas. No velho telhado de uma casa abandonada, um gato magro não tinha ânimo para tentar pegar uma pomba gorda. Foi quando os 3 trabalhadores começaram a ficar inquietos com a formação de uma tempestade: nuvens velozes mostravam os dentes enquanto relâmpagos fechavam os punhos pelo céu. Quando eles embarcaram, o céu do lado de fora de suas mentes continuava limpo, calmo e sem nuvens. A tempestade estava dentro deles ".  


                                                                                        Geraldo Vermelhão

domingo, 5 de novembro de 2017

Boletim Lanterna. Ano 07. Edição 85

Sabemos que no capitalismo a mão, a voz e todo suor não envolvem CRIAÇÃO. Acumular, lucrar,  são as únicas palavras que justificam a produção artística na civilização burguesa. Podem até inventar mil desculpas em torno das noções de elevação cultural ou refinamento do gosto artístico, mas a grosso modo obras de arte são comprimidas no mesmo quadrado em que os trabalhadores vivem sem exercitar suas potencialidades criativas. Se a arte é TRANSFORMAÇÃO da realidade dada,  trabalhadores e artistas devem ser definidos nos seguintes termos:

O ARTISTA É TRABALHADOR E TODO TRABALHADOR PODE SER ARTISTA. 

Esta possibilidade histórica está intimamente ligada à necessidade de abolição do trabalho alienado. As condições subjetivas para que os trabalhadores se reconheçam como classe, passam necessariamente pela atividade estética; e insistimos mais uma vez que não se trata de mera propaganda política mas de fazer com que o trabalhador recobre suas potencialidades criativas. A tomada de consciência sobre os problemas da realidade, é um processo que também passa pela sensibilidade.
A arte livre desafia o capital.