sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ato no MIS Campinas:

Neste próximo sábado (dia 31 de janeiro, a partir das 19h) um importante ato promete reunir cinéfilos e militantes da cultura no Museu da Imagem e do Som da cidade de Campinas. Trata-se de um notável manifesto que enfrenta a mediocridade cinematográfica em nome do cineclubismo: verdadeira prática de formação estética e política da população.Como já vem sendo divulgado em redes sociais e publicações eletrônicas, toda mobilização envolve a reivindicação e a luta por uma sala gratuita de cinema em Campinas. 
  A importância política deste ato consiste em reagir contra a destruição do espaço público. É contra o lastimável estado de alienação social, que coletivos de comunicadores, artistas e ativistas mobilizam-se para criar um espaço de exibição e debate cinematográfico. Abracemos com paixão revolucionária esta iniciativa!


                                                                                     Conselho Editorial Lanterna  

A teatralização do grafite:

Sendo o grafite uma das mais poderosas e combativas experiências estéticas da atualidade, sua influência pode ser sentida também no campo das artes cênicas. Talvez o exemplo mais frutífero desta conexão, esteja nas apresentações do grupo Perversos e Polimorfos inspiradas no trabalho de Banksy. Movimento, por exemplo,  revela um trabalho interessantíssimo de Ricardo Gali, diretor do grupo, sobre a influência do grafiteiro e ativista britânico que vem assustando os conservadores.O grande barato nisto é como o estêncil influencia o gesto, a representação da imagem do muro no corpo humano. Esperamos que estas experiências tenham longa vida.


                                                                                             Marta Dinamite

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O compromisso com a imaginação criadora:

Se um artista deseja realmente colocar sua obra enquanto contribuição efetiva para a emancipação humana, então ele não pode castrar sua própria imaginação. É precisamente nos recôncavos da sensibilidade, nas ocultas camadas do ser, que o artista identificado com a luta contra o mundo por assim dizer burguês, deve lançar-se sem medo. Quem teme a este mergulho interior, precisa observar que os artistas mais avançados da modernidade, foram bem fundo nessa. Frida Kahlo que o diga.
 Frida foi um pintora que decididamente mobilizou todos os seus modos de expressão de acordo com suas intensas emoções e experiências(inclusive as mais trágicas de sua vida). Sua obra representa um dos pontos altos da vanguarda mexicana do começo do século passado. Enquanto que alguns pintores mexicanos, como Siqueiros, adequaram sua arte aos propósitos limitadíssimos do realismo socialista, Frida foi livre: sua obra e conduta pessoal confluem para uma postura existencial que desafia os padrões morais da classe dominante. Sendo assim, recomendamos aos artistas de esquerda que não deixem de olhar atentamente para o fundo de si mesmos.


                                                                                                  Os Independentes    

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A memória dos Mutantes:

Tá aí um livro que precisa sair: a fotógrafa Leila Lisboa Sznelwar, que conviveu intimamente com a banda de rock brasileira os Mutantes, está numa campanha com fãs do grupo para lançar um livro com imagens inéditas. Esta iniciativa, é fundamental para a História do rock e da música popular em geral no Brasil. Sznelear captou a banda em um período de intensa produção musical e experiências contraculturais: entre 1969 e 1974, existe um importante legado fotográfico que ajuda na reconstituição histórica de uma época em que se a barra pesava politicamente, sob a ponto de vista musical a juventude resistia através da criatividade e de uma louca busca pela liberdade. 
  Hoje os Mutantes gozam de um prestígio artístico internacional. Seu valor musical é inquestionável, sendo que para muitos, a banda brasileira foi mais longe em termos de criatividade do que gente como Beatles e Pink Floyd. Este livro seria mais do que oportuno para contribuir com a divulgação do legado musical dos Mutantes.


                                                                                                       Tupinik

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Os manifestos do Modernismo brasileiro:

Rever criticamente a trajetória do modernismo brasileiro, implica em conhecer sua própria linguagem. Diante disso é muito oportuno que se leia o recém lançado livro A Palavra Modernista: Vanguarda e Manifesto, de Pedro Duarte(a obra saiu pela Casa da Palavra). O autor investiga a escrita modernista a partir do manifesto, ou seja, o formato privilegiado pelas vanguardas artísticas do século XX para exprimir projetos estéticos que visavam romper com as tradições culturais da sociedade burguesa. Investigar as plataformas teóricas do nosso modernismo, é um percurso que encontra no manifesto sua principal porta de entrada: em revistas como a barulhenta Klaxon, é que observamos a presença destes documentos de agitação e provocação. Porém, há de se convir que a revolução modernista conheceu sérios limites de classe: intelectuais e artistas bem abastados promoviam importantes formas de rebelião estética, mas ignoravam a revolução em seu sentido político mais profundo.  
 A renovação  de nossas letras e artes, deu-se durante a década de vinte dentro de um verdadeiro balaio de gatos: escritores e artistas unidos em torno de uma concepção moderna e bastante idealista do que seria uma arte nacional, possuíam concepções estéticas e políticas distintas. Neste sentido embora existisse um sentimento unânime de ruptura, notamos interpretações contrastantes para os caminhos de uma arte moderna autenticamente brasileira: entre Oswald de Andrade e Plínio Salgado, por exemplo,os oceanos ideológicos eram enormes. 
Se a maioria dos modernistas ignoraram o movimento operário, a coisa toda iria mudar quando alguns dos seus quadros mais radicais encaminham-se no final dos anos vinte, para a luta política de esquerda: Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Patrícia Galvão e Tarsila do Amaral, não tardariam em compreender que era preciso romper não apenas esteticamente, mas politicamente com a classe dominante. Sendo assim, na hora de olharmos para os manifestos do nosso modernismo, saibamos identificar os sinais das tendências que contribuem historicamente com o questionamento dos valores artísticos e políticos da classe dominante.


                                                                                          Geraldo Vermelhão

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A idealização da imagem do proletariado:

Existe um pequeno mas não menos problemático fenômeno: alguns jovens " comunistas ", que nunca colocaram os pés numa fábrica ou sequer frequentam mercados municipais e feiras populares,  nutrem uma imagem que culmina na  fetichização da classe operária. Cercando-se por exemplo de cartazes soviéticos, estes militantes criam um falso imaginário, que portanto não corresponde ao contexto cultural do operário brasileiro de hoje em dia. A verdade é que estes garotos ainda não se libertaram das características idealistas próprias da pequena burguesia. Ainda que compreendam por exemplo a Revolução russa de 1917 e a produção artística que ela resultou, eles insistem em estereótipos nos quais o proletário brasileiro de hoje não se reconhece.
 Mulheres com lenços na cabeça e com saia de camponesa russa, homens de macacão com martelos nas mãos e fazendo uso de quepes, corresponde a um conjunto de imagens do operário europeu do começo do século passado. Se quisermos pensar a imagem dos trabalhadores brasileiros da atualidade, então devemos observar além do evidente aspecto da miscigenação(que foi abordado por nomes combativos do modernismo brasileiro) as novas características visuais que compõem o jovem operário que escuta funk e rap e incorpora-se aos mais variados elementos da cultura popular, sobretudo aqueles provenientes dos estados nordestinos. Ou seja, para representar o povo é preciso ver/conviver com trabalhadores de carne e osso. Compreendendo atentamente a cultura popular brasileira, poderemos avançar numa nova construção da imagem do operário revolucionário.


                                                                                                     José Ferroso    

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Porque falar em expressionismo alemão hoje:

Dentre as lições revolucionárias do expressionismo alemão, está a ruptura com a imagem enquanto construção naturalista. Isto ainda representa muito, se levarmos em conta que a percepção das massas é até hoje estruturada no cinema comercial e na mídia burguesa como um todo, através das  " ilusões verdadeiras" de um convencionalismo naturalista. Sendo assim, um primeiro ato revolucionário no plano da imagem não encontra-se em uma suposta natureza realista do seu objeto, mas numa linguagem que recria o real.
 Ernst Bloch está entre os poucos marxistas que valorizaram o caráter revolucionário do expressionismo alemão. Bloch sabia que as formas sombrias e assimétricas não eram produtos de uma imaginação " irresponsável "(rs) ou de um delírio que aliena a imagem da realidade. É a revolta contra o conjunto da cultura burguesa que fez do expressionismo, ainda que nem todos os seus artistas fossem pessoas de esquerda,  a recusa de um modo de percepção: é a negação de toda  herança burguesa em arte. 
  Ainda que este debate estético seja próprio do século passado, nunca é demais lembrar que a intervenção artística contrária ao status quo, depende de uma proposta formal que o negue.

                                                                                 
                                                                                                         Marta Dinamite