sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A canção pode quebrar a rotina:
Aparentemente nada pode ser mais inocente do que uma canção. Assoviar uma melodia ou cantarolar o refrão de uma música é algo que soa rotineiro no nosso país. Mas é esta aparência de rotina que pode fazer da canção um dispositivo para alimentar o inconformismo social. A letra e a estrutura melódica de uma canção, podem ser usadas como estratégia de comunicação que exprime a não aceitação de uma sociedade que fez da música uma triste mercadoria.
A música não pode permanecer na condição subalterna, servindo apenas para ser o previsível pano de fundo sonoro do filme de ação, da novelinha, da propaganda partidária e dos inúmeros anúncios inúteis. Para devolver a importância cultural e política da música popular, é preciso que os músicos tenham formação política e, sendo porta vozes dos anseios da classe trabalhadora, denunciem a miséria econômica e espiritual do nosso tempo.
Tupinik
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A poesia deve " mudar a vida ":
Quando algum militante, que se diz marxista, sair em defesa de uma poesia " politizante ", desconfie: mesmo quando o conteúdo é pretensamente revolucionário a forma convencional acaba por fazer do poema uma experiência reacionária. Claro, não tenhamos dúvidas, a poesia pode(e deve) falar de ideias políticas. Porém, será que o alcance revolucionário da poesia é tão somente a abordagem racional da realidade? É claro que não! Os poetas que realmente contribuem com a revolução social invocam imagens e revelam atitudes que rompem radicalmente com a armadura cartesiana da cultura burguesa.
O jovem poeta francês Arthur Rimbaud é um exemplo fascinante da poesia que serve, a partir de si mesma(a partir do delírio e das visões libertárias do poeta) ao ímpeto de ruptura com a civilização capitalista. Tão fundamental quanto o Manifesto Comunista, de Marx e Engels, é a obra Uma Temporada no Inferno, de Rimbaud.
Os Independentes
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
V Semana do Audiovisual Campinas:
Entre os dias 16 e 26 de agosto irá ocorrer a V Semana do Audiovisual Campinas(SEDA). Trata-se de um convite que o coletivo Moinho junto a outros coletivos, grupos e Casas de Cultura fazem para a população de Campinas. Em vários pontos da cidade o público poderá assistir e debater a cultura audiovisual independente dos nossos dias. Nesta edição do SEDA indaga-se quais imagens e quais cenas representam ou não as realidades sociais. Definitivamente é uma discussão que dá pano pra manga! Uma belíssima oportunidade para se debater o caráter político da produção audiovisual.
Os Independentes
terça-feira, 4 de agosto de 2015
O traço violento de Grosz:
Quais são as implicações estéticas da crise econômica? Há quem queira tapar o sol com a peneira fazendo imagens que nascem e morrem no " eu ". Mas por outro lado existem aqueles artistas(e esperamos que estes sejam a maioria) que fazem da pintura, da gravura, do cartaz expressões de sátira e crítica social. Num Brasil que assiste a uma burguesia furiosa e trabalhadores cada vez mais ferrados(desemprego, falta de grana, etc e tal) a arte precisa encaminhar-se para o plano da crítica objetiva; o que não exclui a criatividade. É por estas e outras que o trabalho do artista alemão Georg Grosz torna-se fonte de inspiração e alvo de releitura.
Artista rebelde e decididamente de esquerda, Grosz fez de sua arte durante os anos da República de Weimar, um canhão que apontava contra líderes belicosos, burgueses escrotos e os demais reacionários do período. Uma Alemanha corroída pela crise econômica era o cerne da sua arte de combate. Tá aí um artista que no Brasil de hoje pode ser útil nas mãos dos revolucionários.
Geraldo Vermelhão
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
O cinema de Godard:
Ao dissecarmos a linguagem cinematográfica, buscamos na autópsia audiovisual elementos revolucionários, que negam o imperialismo norte americano via Hollywood. Nesta operação Jean Luc Godard é um dos autores que ainda dá as cartas. A filmografia de Godard é um exercício constante de crítica, reflexão e sobretudo invenção. Um exemplo de que Godard ainda é fonte de debate cinematográfico, encontra-se no livro do filósofo e historiador Georges Didi-Huberman(a obra Passés Cités foi lançada recentemente na França). Este livro certamente engrossa a ampla bibliografia sobre a obra e o pensamento estético de Godard.
Seria importante para os cineastas brasileiros não vincularem a obra de Godard a algo " sofisticado " , " hermético ", voltado apenas para meia dúzia de especialistas em cinema. Jean Luc Godard foi parte de uma geração que defendeu a figura do autor no cinema: um cinema autoral, livre conduziu muitos cineastas para o campo da contestação política(e é preciso lembrar que foi Glauber Rocha quem mostrou esta direção para Godard). O cineasta francês é uma referência na luta por um cinema revolucionário.
Lenito
sábado, 1 de agosto de 2015
Arte e bolchevismo:
A criação artística não pode ficar cultivando formas que postergam a ruptura com a classe dominante. A arte que tem lado, que denuncia a exploração e representa claramente os interesses históricos do proletariado, é uma arte que visualiza uma outra realidade: esta realidade, a do socialismo, ainda não existe. Mas no confronto diário com os capitalistas, os trabalhadores organizados derramam uma sensibilidade que pode ser encarnada artisticamente. Os jovens artistas das periferias do Brasil, estão percebendo que o futuro da sua arte não está no sucesso individual mas na Revolução socialista.
José Ferroso
A importância da contracultura para o marxismo:
É verdade que os movimentos e contracultura não resistem a uma análise política aprofundada: a maioria deles, envoltos em idealismo e vícios anárquicos, geralmente caem em esterilidade. Entretanto, podemos seguir com práticas culturais que neguem a criatividade, a coragem e o frescor juvenil da contracultura? O fato é que sem a espontaneidade radical a criação artística perde em termos de liberdade e impacto. Embora a realidade não seja " instantânea " mas sim dialética, não existe contradição no diálogo entre marxismo e contracultura.
Os marxistas não podem ficar soterrados em esquemas pedantes, em práticas dogmáticas que fecham os olhos para a criatividade dos jovens rebeldes, que desprezam e recusam a sociedade estabelecida. O comunismo pode enriquecer-se com a vitalidade contracultural.
Os Independentes
Os marxistas não podem ficar soterrados em esquemas pedantes, em práticas dogmáticas que fecham os olhos para a criatividade dos jovens rebeldes, que desprezam e recusam a sociedade estabelecida. O comunismo pode enriquecer-se com a vitalidade contracultural.
Os Independentes
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