terça-feira, 16 de outubro de 2012

CONDIÇÕES HISTÓRICAS PARA UMA ARTE REVOLUCIONÁRIA:

Por maiores que sejam os esforços da chamada Indústria cultural para
reprimir nos indivíduos as suas potencialidades criativas, as
condições aterradoras de vida impostas pelo capitalismo global fazem
germinar contra a própria vontade da burguesia, uma sensibilidade
selvagem, ainda subterrânea, mas que explode com as cores violentas da
arte. Ainda que os meios de comunicação de massa procurem domesticar o
aparelho perceptivo, algumas manifestações nos âmbitos nacional e
internacional demonstram claramente que a verdadeira arte não
compactua com a presente sociedade. Sabendo que a liberdade da arte é
uma falácia dentro do sistema(a marginalização do artista que não faz
concessões ao capital, a cooptação de subculturas para servir ao
mercado e finalmente a violência policial do Estado diante de
intervenções artísticas, ilustram isso), se faz necessário que os
artistas revolucionários se organizem pelos seus próprios meios.
A intolerância da classe dominante frente aos artistas que
colocam a estética em seu território natural, isto é o da rebelião,
pode ser explicada hoje pelo ainda impreciso clima de contestação:
Pensemos por exemplo na recente prisão das integrantes da banda Pussy
Riot após um protesto na principal catedral de Moscou. Em outras
regiões da Europa e também dos EUA que enfrentam a crise econômica,
diversos protestos possuem uma inegavel força estética com canções,
cartazes, atos simbólicos, etc. Invoquemos ainda a Arte combativa
realizada no Egito de hoje: O rastro de fogo deixado por artistas como
Khaled Hafez e o falecido Ahmed Bassiouny torna-se luz contra as
formas de repressão no mundo atual. No caso brasileiro tenhamos em
mente as chamadas literatura periférica e literatura prisional que
juntas a produção cultural envolvendo grafite e Rap expressam de modo
autêntico as realidades de segmentos do proletariado. É importante
frisar que tais artistas brasileiros enfrentando diariamente as
injustiças sociais, criam a sua
própria cultura, dispensando assim a demagogia do intelectual
esquerdista de classe média(históricamente estas manifestações
desenvolvem uma distância considerável do proselitismo dos tempos dos
Centros Populares de Cultura dos anos sessenta, aonde o artista de
classe média criava uma imagem idealista dos trabalhadores e não os
trabalhadores criavam a sua própria imagem).
    Mas perante tudo isto quais seriam os rumos estéticos, políticos
para superar o presente estado de coisas? De que modo o protesto
artístico(presente por exemplo nas periferias das cidades brasileiras)
liga-se a necessária consciência política revolucionária da classe
trabalhadora? Como o conjunto  das experiências estéticas libertárias
do século passado é entendido(e aproveitado) pelos artistas atuais?
De que maneira(s) os artistas brasileiros e de outras nacionalidades
podem impulsionar suas criações para comunicar a necessidade de um
outro modelo de sociedade? Ao mesmo tempo em que saudamos os citados
exemplos(assim como muitos outros espalhados pelo mundo) gostaríamos
de dizer que os rumos para uma Arte Revolucionária envolvem em nossa
opinião as seguintes condições:

1- A defesa da liberdade absoluta no plano da expressão artística.
Experimentar livremente sem qualquer tipo de constrangimento externo
as diferentes possibilidades de linguagem. Este processo criativo só
pode se dar á luz das necessidades interiores de quem cria.

  2- Desmistificar o sentido acadêmico da palavra " artista " e estimular
entre a juventude e os trabalhadores a criação artística e literária
através de meios de produção culturais independentes.

3- Intensificar um processo de estudo, discussão e análise histórica das
tradições artísticas ligadas a crítica e ao questionamento da
sociedade burguesa.

4- Promover o debate acerca das diferentes orientações estéticas.

5- A criação de periódicos e espaços para circular uma produção
artística revolucionária.



                          CONSELHO EDITORIAL LANTERNA

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