segunda-feira, 10 de março de 2014

A validade da crítica anarquista para a arte:

Uma nuvem pesada de injúrias mais uma vez paira sobre o anarquismo. No Brasil de hoje a situação não é diferente daquela do começo do século passado: o anarquista é encarado pela opinião pública como um bandido, um vilão digno de gibi. Para combatermos este processo ideológico de criminalização, é preciso propagar as ideias libertárias em suas reais implicações filosóficas. Tratando-se da arte em particular, a contribuição do pensamento anarquista para a reflexão e a criação é algo que deve ser conhecido, divulgado.
  Para o anarquismo todos os indivíduos são em potencial artistas. Ou seja, nada deste papinho acadêmico de conceber o artista como um ser que carrega diploma embaixo do braço. Nada de adulações que colocam o artista como um ser " genial ". Nada, nada de encarar a artista como um cavalo que corre e corre para ser o " vencedor ". Para a doutrina anarquista o operário, o frentista, o carteiro, o professor, o estudante, qualquer um, deve ser artista; e isto não é tudo: estimulando sua criatividade, o artista libertário questiona toda e qualquer hierarquia, seja das instituições artísticas e acadêmicas, seja do Estado que massacra e oprime os trabalhadores.
 As reflexões estéticas do anarquismo estão abertas á inovação, á ousadia da forma e do conteúdo. Trata-se de colocar o ser humano em sua liberdade original e sem qualquer implicação competitiva e de status. A História do anarquismo no plano da arte encontra em gente como o ex-sapateiro e jornalista francês Jean Grave, exemplos de quem sabe que arte é trabalho e que todos podem servir-se dela para atingirem sua libertação. Grave, por exemplo, editava por conta própria seu jornal La Révolte e divulgava o que havia de mais avançado em matéria de arte e literatura. É isso: ação intelectual e artística pelas próprias mãos, ação cultural direta!
 Deixem que os cretinos babem ovo para aqueles " artistas geniais ", badalados e escravos do poder econômico que aprisiona a arte nas grades da mercadoria. Para nós o que interessa é o artista libertário, marginal, que não abre mão da luta contra os valores estabelecidos.


                                                                               Marta Dinamite

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