terça-feira, 18 de março de 2014

Do romance proletário " Navios Iluminados ", de Ranulfo Prata

(...) O barco vinha de barriga cheia, a ímpar, a carga beijando a boca da escotilha. A máquina escancarou as mandíbulas medonhas, enterrou os dentes na massa negra e derramou na galera três toneladas de carvão de uma só vez. Chegara recentemente e eram as primeiras experiências que se faziam. O pessoal da turma 65 espiava, curioso, o manejo da bicha.
 E, ante is seus olhos surpresos , o porão foi se esvaziando rapidamente. O demônio da máquina, sozinha, fazia o serviço de muitos homens, que ali estavam a olha-la de braços cruzados e faces apalermadas.


                                                                    Ranulfo Prata, 1937.

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