domingo, 26 de janeiro de 2014

O uso dos novos meios de produção na arte contestadora:

Para os militantes revolucionários, está fora de questão o deslumbramento perante as novas tecnologias digitais. A eles interessa averiguar o uso prático dos novos aparelhos: como estas ferramentas auxiliam na organização política e na difusão das ideologias anticapitalistas(em especial sob a sua dimensão estética e disseminadora de uma sensibilidade libertária). Dentro das manifestações de rua, as redes sociais são instrumentos fundamentais que, mesmo vigiadas pelas autoridades(assim como tudo o que existe na internet), demonstram grande capacidade organizativa e simultaneidade nas ações. O campo cultural e mais propriamente artístico, vem acompanhando em seu próprio nível de realidade estas transformações; resta saber como a arte pode participar mais ativamente da batalha contra a ideologia dominante: num ano de Copa e Eleições, o cotidiano geralmente preenchido por lixo cultural  pode ser invadido por questionamentos artísticos que devem tomar de assalto a percepção dos trabalhadores brasileiros; uma energia negativista e rebelde que faz uso de diferentes suportes digitais precisa  atrair a população para além do campo de futebol e do horário eleitoral.
 Sucesso e popularidade são expressões subordinadas ao mercado: artistas e teóricos podem medir a importância das suas intervenções unicamente pelo número de acessos dos seus vídeos , fotos ou textos publicados na rede. Caso diferenciado é o daqueles que estão interessados em contribuir pela arte com o cenários de contestação social que cresce cada vez mais pelo país; para eles o que está em jogo não é a exposição bem sucedida de suas obras mas sim como elas participam da realidade política. Uma arte livre, irreverente e politizada age pelo subterrâneo e deve chegar á superfície para estabelecer a coesão com a contestação política. Vários setores da juventude já estão percebendo que o otimismo político e a overdose de bolas e chuteiras verificadas na mídia burguesa não podem ser verdadeiros, pois não correspondem á realidade econômica do país. É exatamente este espaço cultural anestesiado que deverá ceder espaço á nova arte rebelada! E diga-se de passagem, é uma arte que armada pelo digital aniquila as barreiras entre artista e espectador. Se os próprios museus já perceberam o valor de interação que existe nas fotos tiradas pelos visitantes junto ás obras, então há o novo dado histórico de que pessoas que não são " artistas especializados ", ao fazerem uso de seus próprios celulares para produzir novos conteúdos(que podem ser explorados esteticamente), podem dispensar a ideologia burguesa na mídia. Cabe a todos nós, militantes da cultura, promover ao longo deste ano o valor artístico e político que as novas tecnologias trazem para a cultura.


                                                                   Conselho Editorial Lanterna

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